Joy, “Ride Along” (2016)

É justo começar por admitir que este novo álbum do power-trio californiano Joy era – para mim – um dos discos mais aguardados de 2016. Dois anos depois de ter vivenciado de forma entusiástica o seu anterior registo ‘Under the Spell of Joy’(devidamente elogiado aqui), eis que a banda natural de San Diego lança o eruptivo ‘Ride Along!’  pela mão do célebre selo nova-iorquino Tee Pee Records. Propulsionado por um frenético e inflamante Heavy Psych N’ Blues (bem à moda da San Diego Scene), este novo álbum de Joy arremessa a nossa consciência para uma furiosa e estonteante montanha russa que nos perturba e endoidece sem qualquer moderação. Os seus riffs elegantes e tumultuosos são atropelados por alucinantes, gritantes e enérgicos solos que nos serpenteiam, trespassam e mantêm em constante desassossego. ‘Ride Along!’ é um álbum saturado de emoção que nos obriga a uma resposta corporal efusiva, enquanto que a nossa consciência irrompe a toda a velocidade pelos deslumbrantes firmamentos perceptuais que se renovam repetidamente. Vibrem intensamente ao som de uma guitarra perfeitamente endiabrada que se exorciza em fervorosos, alucinantes e extasiantes solos capazes de nos desvairar e enlouquecer de prazer. Dancem ao som de um baixo dinâmico, possante e hipnotizante que se envaidece numa extraordinária condução rítmica, estimulem-se ao som dos vocais ecoantes e vivificantes que se libertam deste nebuloso e fervilhante delírio com espantosa distinção, e convulsionem-se ao ritmo taquicardíaco de uma bateria acrobática e esquizofrénica que – com as suas impressionantes e criativas cavalgadas John Bonham’eanas – nos esporeia e embriaga numa crescente excitação. De salientar ainda a atraente cover do tema“Certified Blues” de ZZ Top (pertencente ao seu disco de estreia ‘ZZ Top’s First Album’ nascido em 1971), e os notáveis contributos de Parker Griggs (Radio Moscow) no tema “Peyote Blues”, Mario Rubalcaba (Earthless) nos temas “Evil Woman” e “Red, White and Blues” e ainda Brenden Dellar (Sacri Monti) de guitarra empunhada que abrilhantaram a produção de ‘Ride Along!’. Este é um álbum intensamente delirante que nos convida a testemunhar um profundo estado de adrenalina ao longo dos seus 40 minutos de duração. Um disco de fascínio à primeira audição que nos encanta e asfixia com a sua imersiva exaltação. Percam-se num dos mais belos exemplares do Heavy Psych oriundo da costa californiana e sintam a vossa consciência evadir-se num redentor e sónico orgasmo. Um dos enormes discos de 2016 está aqui, na alma turbulenta de ‘Ride Along!’.

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Joy - Ride Along